Pesquisa avalia a redução de carboidratos em dietas

Dietas baseadas na crença de que comer muito carboidrato engorda e é ruim para a saúde são cada vez mais comuns. Um estudo realizado pela professora de Nutrição da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Raquel Simões Mendes Netto, avalia a eficiência de dietas e exercícios físicos para a correção da obesidade e sobrepeso mostrando os efeitos da redução do carboidrato em uma dieta.

O estudo “Programa perda de peso saudável: acompanhamento nutricional e de atividade física para indivíduos com excesso de peso”  parte do princípio que existe uma grande adesão às dietas de retirada ou redução de carboidratos na alimentação como sendo teoricamente mais eficientes do que não reduzir o carboidrato.

Para a professora Raquel Simões, a natureza do projeto é um estudo clínico controlado e aleatorizado. A equipe desenvolveu a pesquisa dentro da comunidade universitária da UFS com professores técnicos e estudantes para poder acompanhar de fato as pessoas durante 12 semanas.

A pesquisa analisa quatro grupos: pessoas que consomem baixos níveis de carboidratos, e outro grupo sem redução de carboidratos, ambos subdivididos em dois grupos, os que praticam exercícios físicos de mesma intensidade, porem um sendo caminhada ou corrida e o outro com treinamento funcional.

Do ponto de vista bioquímico e da perda de peso, os resultados obtidos foram muito semelhantes, de quem baixou os níveis de carboidrato e de quem não. Os resultados do estudo mostram que o grupo de pessoas com baixo consumo de carboidratos não teve diferença se realizava corrida ou funcional, o impacto é exatamente o mesmo.

“A partir deste resultado, nós demonstramos que o importante é que a pessoa faça exercício físico, se ela passa a realizar atividade física de maneira regular e orientada como foi no caso do nosso estudo, ela consegue atingir a perda de peso e a redução de risco cardiovascular satisfatoriamente”, argumenta Raquel.

A professora Raquel explica que é  importante saber que se uma pessoa está ganhando peso é porque está comendo acima do que precisa, e também porque está gastando menos energia. Se ela gasta mais energia e controla a alimentação,  alcançará bons resultados, sem ter que suprimir um grupo de alimentos ou nutrientes.

Além de avaliar aspectos corporais, sanguíneos e físicos na parte da nutrição, o estudo revelou aspectos psicológicos importantes. A professora Raquel Simões exemplifica que pessoas com restrição maior de carboidratos na alimentação apresentou mais dificuldade em seguir a dieta, do que as pessoas que não estavam com restrição de carboidratos.

“As pessoas com baixo consumo de carboidratos tiveram mais problemas na adesão ao programa. E algumas pessoas começaram a buscar doce e comer sem antes ter esse comportamento, isto devido à falta de carboidratos e passaram a querer consumir carboidrato de qualquer jeito, pois este é essencial na nossa energia cerebral”, pontua a pesquisadora.

Raquel Simões avalia o projeto como muito importante porque o sobrepeso é um problema global, e hoje, são muitas as propostas divulgadas à comunidade e na maioria das vezes de forma irresponsável para as pessoas adotar dietas de ‘moda’ que consistem na redução de carboidratos da alimentação, e que não trazem benefícios para saúde.

A perspectiva é que o programa seja implementado e replicado em unidades de saúde, já que teve uma boa adesão dentro da UFS e também grande visibilidade fora da comunidade acadêmica. Além de gerar consciência nas pessoas que participaram do programa, vários nutricionistas externos se interessaram pelo projeto.

PPSUS
O projeto foi desenvolvido através do edital Programa de Pesquisa Para o Sistema único de Saúde (PPSUS), desenvolvido pela Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE).

Fonte: Comunicação Fapitec/SE.

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