Pesquisadores desenvolvem biomaterial para tratamento de queimaduras de 2º grau

Pesquisadores do laboratório de farmácia da Universidade Federal de Sergipe (UFS) estão desenvolvendo um biomaterial para auxiliar no tratamento de queimaduras graves. O projeto é coordenado pelo pesquisador, Adriano Antunes de Souza Araújo e desenvolvido em parceria com o Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE).

O objetivo do projeto é construir um produto que seja bio-compatível e que ofereça uma cicatrização que faça com que a pele do queimado volte para um estado o mais próximo possível da pele normal. Segundo Adriano Antunes, o centro de tratamento para queimados do HUSE não possui medicamentos tão eficazes para tratar um paciente que sofreu uma queimadura de segundo grau.

“Hoje o HUSE tem uma unidade de tratamento de queimados que recebe pessoas que são queimadas de diversas formas, desde fogos de artifício, queimaduras domésticas até tentativas de homicídio. Só que quando chegam à unidade de saúde, os produtos que são utilizados não são tão eficazes para fazer com que a pele da pessoa volte a ser muito próxima do seu estado normal, Muitas vezes além de ter alguma sequela física na pele ela também tem um trauma psicológico decorrente da queimadura e muitas vezes da cicatriz dessa queimadura”, explica.

Os pesquisadores da UFS têm trabalhado com tecnologia farmacêutica utilizando um fármaco que é o ácido úsnico, substância encontrada na Serra de Itabaiana, com a intenção de incorporar ele numa nanotecnologia e depois disso incorporar essa nanotecnologia num biomaterial compatível com a pele. A expectativa é que o paciente tenha uma cicatrização mais rápida e mais eficiente.

Etapas
A primeira etapa foi a caracterização físico-química.  Com a tecnologia desenvolvida  iniciou-se um estudo chamado de pré-clínico em que foram feitos estudos para ver se esse produto realmente era eficaz em lesões provocadas por queimaduras em ratos.

Na segunda etapa, os estudos foram feitos em pele de suínos, que apresentam capacidade de resposta muito melhor do que a de rato e possuem aspectos mais semelhantes à pele humana. Nos testes foram comparados o produto desenvolvido como o produto de referência no mercado e o produto que geralmente é utilizado nos serviços públicos de saúde.

Na terceira etapa, iniciou a fase clínica da pesquisa onde são realizados os estudos com humanos. Adriano Antunes explica que nessa etapa foi feito contato com a equipe médica do HUSE que é coordenada pelo Dr. Bruno Barreto Cintra, que é o cirurgião plástico responsável pela Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ).

“Nessa etapa do projeto, nós testamos esse produto com 30 pacientes humanos, por isso que a gente chama que é um estudo randomizado, controlado, cego, em que os pesquisadores não sabem qual é o produto. O paciente é o seu próprio controle, ou seja, ele tem que ter uma queimadura que permita que de um lado seja aplicado o produto que já é utilizado na rotina do hospital e do outro lado do mesmo paciente o produto que a gente está testando para poder ver se ele tem efeito”, explica Adriano Antunes.

O projeto irá iniciar a sua quinta etapa que é o estudo clínico fase dois, em que os testes serão ampliados para mais de 100 pacientes. O resultado permitirá que os pesquisadores façam um estudo multicentro, ou seja, iniciar um estudo clínico fase três que será em vários hospitais com centenas de pacientes. Somente depois desta etapa, o produto estaria pronto para ser transferido para alguma empresa e começar a ser produzido em grande escala. Adriano Antunes ressalta que o estudo precisa chegar a muitos pacientes, cerca de 1000 pacientes para poder comprovar a eficácia dele e a segurança para que não se cometa nenhum engano.

Resultados
Ainda segundo Adriano Antunes, os testes mostram tanto no estudo com ratos quanto no estudo com suínos que a membrana promove uma cicatrização que é bem mais eficaz do que os produtos que são utilizados no mercado e que a pele do humano se aproxima bem mais do seu estado normal.

“O que acontece é que primeiro a membrana tem uma atividade antimicrobiana. Os resultados mostram que utilizando a membrana você reduz o número de microorganismos que estão presentes na queimadura e isso é muito bom porque você reduz a chance de ter sepse que é uma infecção. Outro resultado que é possível ver é que utilizando a membrana, você reduz a etapa inflamatória e por fim a membrana acelera a colagenização. Através do ácido úsnico, a membrana é capaz de promover a mudança de um colágeno do tipo três, que é mais frágil, em um colágeno do tipo um, que é um colágeno mais resistente, e com isso a pele se aproxima mais da pele normal”, explica.

PPSUS
A pesquisa é fruto do Programa de Pesquisa para o SUS (PPSUS), desenvolvimento pelo Governo do Estado  através da Fundação de Apoio à Pesquisa e Inovação do Estado de Sergipe (Fapitec/SE). A proposta do programa é desenvolver produtos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Fonte: Comunicação Fapitec/SE.

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