| Em 29/09/2017

Pesquisadores do Museu Goeldi anunciam a descoberta de nova espécie de lagarto da Colômbia

Pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) anunciaram a descoberta de uma nova espécie de lagarto da região do Chocó, no oeste da Colômbia. A espécie recebeu o nome de Alopoglossus embera, em homenagem ao povo indígena Emberá, habitantes daquela região. Alguns exemplares do lagarto já haviam sido coletados há quase 45 anos, mas a nova espécie só foi descoberta por causa das coleções científicas analisadas pelos pesquisadores.

“Embora exista uma certa polêmica envolvendo a coleta de material biológico, a verdade é que se esse material não tivesse sido coletado há mais de 30 anos, não saberíamos da existência dessa espécie”, afirma o pesquisador Pedro Peloso, do Museu Goeldi.

Junto com Cristian Morales, ele desenvolve um estudo sobre a evolução das espécies da família de lagartos Alopoglossidae. Para isso, eles visitaram diversas coleções científicas para analisar a morfologia dos exemplares dos gêneros Alopoglossus e Ptychoglossus. Foi durante o exame do material desse grupo, depositado em coleções internacionais, que os pesquisadores encontraram a nova espécie.

De acordo com o estudo, os exemplares de lagartos utilizados na descrição já estavam disponíveis para estudo há mais de 30 anos, sendo que grande parte do material foi obtida em 1973 por pesquisadores do American Museum of Natural History, de Nova York (EUA).

“Diversas expedições científicas resultam na coleta de material que pode ficar muitos anos sem ser estudado em detalhe. No caso do Alopoglossus embera, boa parte do material foi coletado na década de 70 e ficou guardado nas prateleiras do museu americano desde então. A outra parte estava guardada na Universidad del Valle, na Colômbia, mas também estava disponível para estudo desde os anos 1980”, explica Peloso.

Segundo ele, é comum que a descrição de uma espécie seja feita muitos anos após a sua coleta. Isso porque são necessários diversos estudos e comparações com espécies já descritas. O pesquisador acrescenta que há espécies conhecidas somente por poucos ou, até mesmo, um único exemplar, o que dificulta o trabalho do taxonomista, como é conhecido o cientista que estuda a nomenclatura dos seres vivos. “Para este estudo, além da coleção do Museu Goeldi, precisamos olhar o material depositado em coleções dos Estados Unidos e da Colômbia. Só assim tivemos certeza de que os exemplares que encontramos não se encaixavam em nenhuma das espécies já descritas.”

Chocó
Os pesquisadores do Museu Goeldi têm tido importante participação na descrição e divulgação de novas espécies para a ciência na região do Chocó, que possui diversidade biológica semelhante a da Amazônia. “Trata-se de uma região bem diferenciada do restante da América do Sul, especialmente se comparada aos ecossistemas presentes no lado oriental dos Andes”, diz Cristian Morales, colombiano e aluno de mestrado no Museu Goeldi.

A descoberta foi publicada no periódico South American Journal of Herpetology, revista oficial da Sociedade Brasileira de Herpetologia.

Fonte: MCTIC.