| Em 10/02/2021

Startup apoiada pelo PIPE-FAPESP lança Centro de Inspeção Robótica

Instalado no Parque Tecnológico São José dos Campos, empreendimento construído pela Autaza possui sistema óptico de inspeção de qualidade de pintura automotiva por meio de inteligência artificial e visão computacional (foto: divulgação / Autaza)

A startup Autaza, especialista em visão computacional e inteligência artificial para inspeção de qualidade, instalou um Centro de Inspeção Robótica no Parque Tecnológico São José dos Campos.

Com área de 130 metros quadrados (m2), o Centro é equipado com robôs e sistemas de automação que simulam a complexidade e mobilidade de uma linha de produção automotiva.

Segundo Enivaldo Amaral, diretor de engenharia da Autaza, o Centro é o único no país que possui um sistema óptico de inspeção de qualidade de pintura automotiva por meio de inteligência artificial e visão computacional.

O sistema tem capacidade de identificar automaticamente defeitos de aparência em peças plásticas, metálicas e em materiais compósitos – formados pela combinação de diferentes matérias-primas –, com o objetivo de aumentar a eficiência da produção.

“Conseguimos montar no Centro uma célula de inspeção de qualidade de pintura automotiva em escala real. Dessa forma, é possível demonstrar aos nossos potenciais clientes como funciona exatamente em uma linha de produção de automóveis o sistema que desenvolvemos”, diz Amaral.

O Centro de Inspeções Robóticas recebeu R$ 1,5 milhão de investimento. Os recursos foram obtidos por meio de projetos apoiados pelo Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Também tem o apoio das empresas Igus e Eisenmann do Brasil, um dos principais fornecedores de equipamentos de automação e sistemas de pintura, que montou uma parte de uma linha de produção automotiva no novo Centro.

“Também oferecemos no Centro o serviço de inspeção de qualidade de pintura automotiva. As indústrias poderão enviar uma carroceria ou peças separadas para fazermos a inspeção e emitirmos o relatório”, explica Amaral.

Múltiplas aplicações

A Autaza obteve recursos do PIPE-FAPESP para o desenvolvimento de um projeto de inspeção automática de qualidade de carrocerias automotivas.

A empresa ampliou o campo de atuação, atendendo também empresas do setor de vidro e aeronáutico e abriu em 2019 um escritório de negócios em Ann Arbor, em Michigan, nos Estados Unidos, para divulgar sua marca, prospectar clientes globais nos três setores e identificar novas áreas de atuação (leia mais em http://pesquisaparainovacao.fapesp.br/820 e http://pesquisaparainovacao.fapesp.br/929).

“Nossas soluções foram desenvolvidas inicialmente para atender a demanda dos setores automotivo, aeronáutico e de vidros, mas são aplicáveis a vários outros segmentos”, afirma Amaral.

Em parceria com a empresa franco-americana ESI Group, que desenvolve soluções para prototipagem virtual de produtos, a Autaza desenvolveu um software para avaliação de dados virtuais que permite predizer se uma peça apresentará defeitos e qual o nível de severidade antes mesmo de ser produzida.

“A ESI é uma das empresas com as quais desenvolvemos soluções por demanda. Também já fizemos projetos em parceria com a Basf e a L’Oréal”, diz Amaral.

A trajetória da empresa começou com um projeto de pesquisa e desenvolvimento que aproximou a General Motors (GM), em São Caetano do Sul, e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e resultou no protótipo funcional de um sistema que utiliza visão computacional e inteligência artificial para detectar defeitos na superfície da carroceria de veículos. A nova tecnologia é alternativa ao método de inspeção visual utilizado atualmente por grande parte das montadoras, que exige inspetores treinados para identificar e fazer a classificação dos defeitos.

Os bons resultados do sistema automático de inspeção de qualidade e a disposição da General Motors (GM) de permitir o uso da propriedade intelectual do novo sistema estimularam os três pesquisadores responsáveis pelo projeto no ITA a constituírem a empresa e levar a tecnologia para o mercado.

Além de testar a tecnologia, a GM autorizou o uso da propriedade intelectual do sistema – assim constituiu-se a Autaza – e ainda o adotou nas fábricas dos Estados Unidos e da Alemanha, onde, até 2017, produzia a marca Opel – a unidade alemã foi posteriormente vendida para a Peugeot e BNP Paribas. A tecnologia também é utilizada pela Volkswagen.

A mesma tecnologia de inspeção inteligente também é utilizada para identificar defeitos na pintura de materiais compósitos utilizados pela aeronáutica, o que abriu outro mercado para a empresa, trazendo clientes do porte da Embraer.

No setor de vidros, a tecnologia é utilizada para classificar a qualidade tanto de vidros planos, utilizados em janelas de imóveis residenciais e comerciais, como os usados em garrafas e embalagens de esmalte, por exemplo.

O software desenvolvido pela empresa faz a classificação da qualidade dos vidros produzidos na fábrica. Caso o software indique a necessidade de mudanças, os engenheiros de processos das indústrias de vidro conseguem fazer rapidamente readequações nos parâmetros da linha de produção – como a velocidade de produção, temperatura e composição da matéria-prima – para assegurar a qualidade do produto.

Uma das indústrias de vidro que já utilizam a solução é a Cebrace, uma das líderes no mercado brasileiro do segmento de vidro plano. “Com a utilização do nosso sistema, as indústrias de vidro conseguem realimentar os parâmetros de suas linhas de produção para adequar os processos e atender os padrões exigidos”, explica Amaral.

Parceria de longa data

A Autaza começou sua trajetória no programa de incubação do Nexus, o hub de inovação do Parque Tecnológico. A startup graduou-se em 2018 e segue residente no Parque.

O Centro de Inspeção Robótica também está conectado à Plataforma Virtual de Testbed em Internet das Coisas do Parque Tecnológico, por meio da qual será possível medir o gasto energético dos robôs.

Além do desenvolvimento de projetos, a parceria entre a Autaza e o Parque prevê a capacitação e qualificação de mão de obra. A cada semestre, a empresa vai oferecer duas bolsas de estágio remuneradas para estudantes das universidades vinculadas ao Parque Tecnológico.

“É um novo espaço funcional para a criação de tecnologias e desenvolvimento de pessoas e atua como vitrine para aproximar o público dos conceitos da indústria 4.0”, avalia Amaral.

 

Fonte: FAPESP (Texto: Elton Alisson  |  Pesquisa para Inovação)

 

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